Dr. Caio Yano

Epicondilite lateral: o cotovelo do tenista que não joga tênis

Por Dr. Caio Yano 3 min de leitura Revisado em 12 de março de 2026
Epicondilite lateral — Dr. Caio Yano

O nome “cotovelo do tenista” engana. A maioria dos pacientes que atendo com epicondilite lateral nunca pegou em uma raquete. São digitadores, músicos, cozinheiros, mecânicos — qualquer pessoa que realiza movimentos repetitivos com o punho e o antebraço.

A epicondilite lateral é, na verdade, uma tendinopatia — não uma inflamação aguda, como o sufixo “-ite” pode sugerir. Estudos histológicos demonstraram que a lesão característica é uma degeneração do tendão do extensor radial curto do carpo (ECRB), com desorganização das fibras colágenas e ausência de células inflamatórias típicas. Esse entendimento mudou radicalmente a forma de tratar.

Por que dói

A dor se localiza no epicôndilo lateral — a proeminência óssea na parte externa do cotovelo. Ela surge porque os tendões dos extensores do punho se inserem nessa região e, quando sobrecarregados de forma repetitiva, sofrem microlesões que não se recuperam adequadamente.

Os sintomas clássicos:

  • Dor ao apertar a mão ou carregar objetos (como uma sacola ou uma caneca)
  • Dor ao estender o punho contra resistência
  • Sensibilidade à palpação no epicôndilo lateral
  • Piora progressiva se não tratado

O erro mais comum no tratamento

O tratamento com anti-inflamatórios e repouso resolve nos casos agudos — mas na tendinopatia crônica, esses recursos têm eficácia limitada. Uma revisão da Cochrane confirmou que infiltrações com corticosteroide, apesar de aliviarem a dor no curto prazo, estão associadas a piores resultados em médio e longo prazo em comparação ao tratamento conservador, possivelmente por inibirem os mecanismos de reparação tecidual.

O que a evidência recomenda

Exercício excêntrico e de carga progressiva

Hoje, os protocolos de tendon loading — exercícios que aplicam carga progressiva ao tendão — são o tratamento de primeira linha recomendado pelas principais diretrizes de medicina esportiva. Exercícios excêntricos e isométricos reduzem a dor e estimulam a remodelação do colágeno.

Terapia por ondas de choque

Múltiplos ensaios clínicos randomizados e uma metanálise publicada no British Journal of Sports Medicine demonstraram eficácia superior ao placebo no tratamento da epicondilite crônica. As ondas de choque estimulam neovascularização, reorganização do colágeno e modulação da dor, com resultados sustentados no seguimento de longo prazo.

Infiltração guiada por ultrassom

Quando há indicação de infiltração (como em casos de dor intensa refratária ao exercício), o guia de ultrassom permite posicionamento preciso na região de maior degeneração tendínea. Técnicas como a tenotomia percutânea ecoguiada e a proloterapia têm evidências crescentes em tendinopatias recalcitrantes.

Prognóstico

Cerca de 80 a 90% dos casos de epicondilite resolvem com tratamento conservador em até 12 meses. Os casos que persistem além disso geralmente têm degeneração mais avançada do tendão e se beneficiam dos procedimentos guiados por imagem. Cirurgia é raramente necessária e fica reservada a casos com falha comprovada do tratamento conservador por mais de 6 a 12 meses.

Atendimento em São Paulo

Dr. Caio Yano atende pacientes com epicondilite presencialmente em São Paulo, no bairro do Ipiranga, e também na Clínica Vertz (Itaim Bibi). Consultas online estão disponíveis para todo o Brasil. O agendamento é feito diretamente pelo WhatsApp.

Tags: epicondilite cotovelo do tenista tendinopatia ortopedia medicina esportiva

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