Dr. Caio Yano

Pubalgia: dor na virilha que não passa — causas e tratamento

Por Dr. Caio Yano 3 min de leitura Revisado em 12 de março de 2026
Pubalgia — Dr. Caio Yano

Dor na virilha que piora ao chutar, correr, mudar de direção rapidamente ou ao levantar da cama de manhã. Em atletas — especialmente futebolistas, corredores e praticantes de esportes que envolvem mudança de direção — esse quadro tem um nome bem estabelecido: pubalgia atlética (ou síndrome do atleta da virilha).

Mas “pubalgia” é um termo guarda-chuva. Antes de tratar, é fundamental entender qual estrutura está comprometida — porque na região da virilha convivem o pubis, os adutores, a musculatura abdominal, a articulação do quadril e estruturas neurais, e cada uma tem abordagem diferente.

Estruturas envolvidas

A pubalgia atlética resulta de desequilíbrio de forças na pelve: a musculatura adutora (face interna da coxa) exerce tração sobre o pubis em sentido oposto à musculatura abdominal. Quando essa tensão supera a capacidade de adaptação dos tecidos, surgem microlesões nas inserções musculotendinosas.

As estruturas mais frequentemente acometidas:

  • Tendão dos adutores (especialmente o adutor longo) — inserção no pubis
  • Placa fibrocartilaginosa da sínfise púbica — sob estresse repetitivo
  • Aponeurose do reto abdominal — inserção no tubérculo púbico

É comum haver comprometimento simultâneo de múltiplas estruturas — o que torna o diagnóstico exigente.

Diagnóstico diferencial — o que não pode ser esquecido

A dor na virilha é um dos diagnósticos diferenciais mais complexos da medicina esportiva. Além da pubalgia atlética, devem ser excluídas:

  • Artrose de quadril — dor inguinal que irradia para a coxa; mobilidade do quadril reduzida
  • Hérnias inguinais — incluindo a “hérnia do esportista” (defeito da parede posterior do canal inguinal sem hérnia franca)
  • Tendinopatia do iliopsoas — dor anterior ao quadril, estalido palpável
  • Osteíte púbica — edema na sínfise ao RNM, sem lesão musculotendinosa definida
  • Artrite ou fraturas por estresse do pubis

A ressonância magnética da pelve com protocolo específico para partes moles é o exame de escolha para mapear as estruturas envolvidas.

Tratamento

A grande maioria dos casos responde ao tratamento conservador — estudos prospectivos mostram retorno ao esporte em 6 a 12 semanas com protocolo adequado.

Fase inicial: controle da carga e dor

Redução temporária das atividades que provocam dor (especialmente chutes, sprints e mudanças de direção). Anti-inflamatórios e fisioterapia analgésica podem ser usados nos primeiros dias.

Reabilitação específica

O pilar do tratamento é um programa progressivo de fortalecimento que reequilibra as forças na pelve:

  • Fortalecimento excêntrico dos adutores (protocolo de Copenhagen — com nível A de evidência para prevenção e tratamento de tendinopatia dos adutores)
  • Estabilização do core e da musculatura abdominal
  • Fortalecimento progressivo dos glúteos

Uma revisão sistemática publicada no British Journal of Sports Medicine demonstrou que o exercício de adução de Copenhagen reduz o risco de lesão de adutor em 41% quando aplicado como prevenção — e tem eficácia equivalente na reabilitação.

Infiltração guiada por ultrassom

Nos casos com componente inflamatório ativo na inserção dos adutores ou na sínfise, a infiltração de corticosteroide guiada por ultrassom pode reduzir a dor e viabilizar o início precoce da reabilitação. O guia de imagem é necessário dada a proximidade com estruturas vasculares e nervosas.

Cirurgia

Indicada em casos selecionados com hérnia do esportista confirmada ou lesão musculotendinosa completa — sempre após falha do tratamento conservador adequado.

Prevenção

A pubalgia tem alta taxa de recorrência em atletas que retornam ao esporte sem completar a reabilitação. O retorno deve ser baseado em critérios funcionais — ausência de dor nas atividades esportivas específicas e equilíbrio de força entre adutores e abdutores — não apenas no tempo decorrido.

Atendimento em São Paulo

Dr. Caio Yano atende pacientes com dor musculoesquelética presencialmente em São Paulo, no bairro do Ipiranga, e também na Clínica Vertz (Itaim Bibi). Consultas online estão disponíveis para todo o Brasil. O agendamento é feito diretamente pelo WhatsApp.

Tags: pubalgia dor na virilha ortopedia medicina esportiva atletas

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