Tendinite de Aquiles: por que ela não melhora com repouso e o que fazer
O tendão de Aquiles é o mais espesso e resistente do corpo humano. Suporta cargas de até 10 vezes o peso corporal durante a corrida. Quando ele dói, cada passo lembra que algo não está certo.
A tendinopatia de Aquiles afeta corredores com frequência — mas também pessoas sedentárias que começam a se movimentar mais, e adultos a partir dos 40 anos, quando a estrutura tendínea sofre alterações degenerativas naturais. O ponto comum: o repouso alivia temporariamente, mas a dor volta assim que a atividade é retomada — porque repouso não trata a causa.
O que acontece no tendão
Assim como na epicondilite e na tendinite glútea, estudos histopatológicos demonstraram que a “tendinite” de Aquiles crônica é na verdade uma tendinopatia degenerativa — desorganização das fibras de colágeno, proliferação vascular e ausência do infiltrado inflamatório típico. Esse entendimento é fundamental: tratar com anti-inflamatórios uma condição que não é, primariamente, inflamatória tem eficácia limitada.
Localização: midportion vs inserção
Dois padrões distintos, com abordagens diferentes:
- Tendinopatia de corpo médio (midportion) — dor 2 a 6 cm acima da inserção no calcâneo; associada a sobrecarga de tração; responde melhor ao protocolo de Alfredson (excêntrico)
- Tendinopatia insercional — dor diretamente na inserção do tendão no calcâneo; frequentemente associada a esporão de Haglund; exercícios excêntricos com o calcanhar abaixo do nível do degrau não são indicados nesse subtipo, pois aumentam a compressão; o protocolo é diferente
Essa distinção é clínica e pode ser confirmada por ultrassonografia.
Fatores de risco
- Aumento rápido de volume ou intensidade de treino
- Corrida em superfícies duras ou irregulares
- Calçado inadequado
- Fraqueza do complexo panturrilha-sóleo
- Obesidade
- Uso de fluoroquinolonas (antibióticos que aumentam risco de ruptura tendínea)
- Doenças metabólicas como diabetes e hiperuricemia
O que funciona
Exercício excêntrico (protocolo de Alfredson)
O protocolo descrito por Alfredson em 1998 — e amplamente validado desde então — consiste em exercícios excêntricos de panturrilha, realizados 2 vezes ao dia, 7 dias por semana, por 12 semanas. Ensaios clínicos demonstraram melhora significativa da dor e da função em 60 a 90% dos pacientes com tendinopatia de corpo médio.
Terapia por ondas de choque
Uma metanálise publicada no Journal of Orthopaedic Surgery and Research demonstrou eficácia das ondas de choque na tendinopatia de Aquiles, com melhora da dor e da função em seguimento de 3 a 12 meses. É especialmente útil em casos que não responderam ao exercício isolado e como adjuvante ao protocolo excêntrico.
Infiltração guiada por ultrassom
Em casos selecionados com degeneração tendínea avançada ou neovasos sintomáticos, procedimentos guiados por ultrassom (como esclerose de neovasos ou injeção peritendinosa) têm evidências favoráveis. A infiltração com corticosteroide não é recomendada no tendão de Aquiles pelo risco de ruptura tendínea.
Ruptura: quando operar
A ruptura completa do tendão de Aquiles é uma emergência ortopédica. Em pacientes jovens e ativos, o tratamento cirúrgico apresenta menor taxa de re-ruptura em comparação ao conservador. Em pacientes mais velhos ou com comorbidades, o tratamento conservador com imobilização e reabilitação progressiva é uma alternativa válida, com resultados funcionais comparáveis em estudos de longo prazo.
Quanto tempo demora
A tendinopatia de Aquiles é conhecida por ter recuperação lenta. Com tratamento adequado — especialmente o protocolo de exercícios — a maioria dos pacientes apresenta melhora significativa em 8 a 12 semanas, mas o retorno pleno à atividade esportiva pode levar 3 a 6 meses. Expectativa realista é parte do tratamento.
Atendimento em São Paulo
Dr. Caio Yano atende pacientes com tendinite presencialmente em São Paulo, no bairro do Ipiranga, e também na Clínica Vertz (Itaim Bibi). Consultas online estão disponíveis para todo o Brasil. O agendamento é feito diretamente pelo WhatsApp.